Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava,
você é os segredos que guardou,
você é sua praia preferida,
você é aquele amor atordoado que viveu,
você é o que você lembra.
Você é o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora,
Você é o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora,
você é a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas,
você é o que você chora.
Você é o abraço inesperado,
Você é o abraço inesperado,
Você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta,
você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta,
você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo,
você é o que você desnuda.
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar,
Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar,
você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o ódio que tudo isso dá,
você é aquele que rema, que cansado não desiste,
você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta,
você é o que você queima.
Você é aquilo que reivindica,
Você é aquilo que reivindica,
você é os direitos que tem, os deveres que se obriga,
você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca,
você é o que você pleiteia.
Você não é só o que come e o que veste.
Você não é só o que come e o que veste.
Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê.
Você é o que ninguém vê.
Martha Medeiros
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