Ah, se as coisas fossem tão fáceis assim… Fico me lembrando daquela clássica coleção de figurinhas Amar…é, coqueluche das pré-adolescentes nos anos 80. Frases muito simples definiam o sentimento que todos os seres humanos procuram ao longo da vida de uma forma ou de outra. Seja amor de mãe, de homem, de mulher, de filho, de amigos ou de quem quer que seja, amar e ser amado é uma busca instintiva de qualquer pessoa. Mas não é fácil. Ou melhor, fácil é, o complicado é manter a relação viva e a salvo de problemas e desentendimentos.
Naquelas figurinhas do Amar é… cansei de ler frases do tipo “amar é… escutar sempre o que ela tem a dizer”, “amar é… ser romântico”, “amar é… se sentir bem ao lado do outro”, “amar é… entregar seu coração”, “amar é… ser capaz de se divertir com pouco”. Simples, assim. Mas entre algumas linhas de umas figurinhas e a vida real vai uma longa distância. Na prática, fazer um relacionamento amoroso funcionar dá muito trabalho, principalmente se a comunicação e o diálogo falham com frequência.
Para amar, acredito que as duas pessoas têm que estar dispostas a entender uma à outra e compreender suas esquisitices. Quem consegue isso sem esforço, com certeza é exceção, definitivamente tirou a sorte grande. É difícil demais. Lá dentro de cada um, fervilha um universo de sensações e emoções das quais o outro quase sempre não tem a menor ideia. As mínimas e, à primeira vista, mais banais atitudes podem comprometer toda uma história de maneira irreversível.
Quem nunca se surpreendeu no meio de uma discussão que não sabia direito porque tinha começado e mesmo assim continuou e chegou a níveis de irritação e agressividade desnecessários? Todo casal passa por isso, dizem os psicólogos que é algo natural. Mas como manejar isso no dia a dia? Tentar explicar também pode ser uma emenda mal feita e fonte de más interpretações. Abrir o coração nem sempre é o suficiente se o outro também não está disposto a isso. Um relacionamento a dois é uma verdadeira ciência.
amar2Não é a tôa que nesta nossa contemporaneidade cada vez mais pessoas estejam sozinhas. Sofrem por estarem sós e reclamam que não existem homens nem mulheres dispostos a encarar um relacionamento sério. Para mim, parece óbvio, afinal de contas, é muito mais complicado conviver. Mais fácil é substituir a peça ou o parceiro (a) que vive dando defeito. Me parece que esta é a base de tanta solidão. Homens e mulheres estão muito mais disponíveis para os encontros rápidos, exatamente aqueles que acabam antes dos problemas começarem. Para quê se preocupar? Daqui a pouco, ali na esquina aparece outro (a) para colocar no lugar.
O que muitas mulheres e muitos homens não percebem é que a rotatividade impede a intimidade, o conhecimento do outro, a construção da confiança e a possibilidade de parceria que se instala a partir deste exercício diário que é amar. Muitos podem achar perda de tempo se dedicar a uma história. Mas, a depender de quem está ali do lado, o investimento é bastante recompensador. Mas difícil, difícil mesmo, é encontrar o ponto exato. Até onde ir antes de se perceber que uma história está falida? Como perceber o fim? Quando é preciso desistir? Essas respostas a gente não encontra nas figurinhas…
- Li e gostei, peguei emprestado o texto, direitos autorais Juliana Frizzi do blog Maktub
Ahhhh, se todas nossas respostas estivessem em figurinhas...
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